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Portugal no eixo da nova geoestratégia energética europeia

Porto de Sines

Com uma posição geográfica central no Atlântico, o Porto de Sines é estratégico para aumentar a resiliência do sistema energético europeu e criar uma alternativa à dependência do gás russo. “Um garrote à atividade económica na Europa”, nas palavras de José Luís Cacho. Em entrevista à MOB Magazine, o presidente da APS explica as prioridades de investimento nas interconexões energéticas entre a Península Ibérica e o resto da Europa, não só para abastecimento de gás natural, mas também para reforçar, no futuro, a capacidade nacional de produção de hidrogénio verde.

Com o estalar da guerra na Ucrânia, e no “ano zero” pós-pandemia, a conjuntura mundial económica (e social) alterou-se radicalmente, e pôs a descoberto a fragilidade da dependência energética da Rússia, obrigando a redefinir novas forças geopolíticas, e colocando a Europa em estado de alerta (para não dizer de emergência) para se libertar dos combustíveis que importava da Rússia.
Adaptando a rota de sustentabilidade e a dependência externa de energia dos países no seu eixo de influência, as entidades europeias aceleram, como lhes foi possível, a transição energética, seja pela incerteza relativamente à resolução da invasão da Ucrânia por Vladimir Putin, seja pela evidência, há muito sabida, mas agora gritante, de que o mundo não pode continuar a investir em combustíveis fósseis e indústrias poluentes, se quer sobreviver de uma forma minimamente sustentável.
A gestão da crise, que se adivinha também financeira, levou já a que Bruxelas aprovasse, a 17 de maio, o plano RePowerEU (ver caixa), com um reforço de verbas comunitárias na ordem dos 300 mil milhões de euros, para apoiar investimentos que ajudem a aumentar a resiliência do sistema energético europeu, de forma a tornar a União Europeia (UE) independente da energia russa até 2030. Ainda que o pacote financeiro proposto – de 210 mil milhões de euros até 2027 -, prever um financiamento de até dez mil milhões de euros em ligações em falta para gás e GNL [gás natural liquefeito], e até dois mil milhões de euros para infraestruturas petrolíferas, tendo em vista a paragem do carregamento de petróleo russo, incide sobretudo em medidas de redução solidária do consumo e estabelecimento de tetos aos preços, para lidar com o corte abrupto do abastecimento.
Já a 24 de março, os governos de Portugal e Espanha tinham chegado a um acordo político com a Comissão Europeia (CE) para o estabelecimento de um mecanismo temporário (estimado em cerca de 12 meses) que permitirá fixar o preço médio do gás nos 50 euros por megawatt (MWh). E, à data de fecho de esta edição, o governo português anunciou que está em negociações “ao mais alto nível” com a Alemanha e a Polónia para distribuir gás a partir do Porto de Sines aos países da Europa que são mais dependentes da energia russa. A 20 de maio, e de visita à Polónia, António Costa confirmou os contactos com este e outros países da Europa, afirmando que “precisamos de respostas imediatas”.
Segundo o primeiro-ministro, em causa está a possibilidade de utilizar o Porto de Sines como “uma plataforma de transferência a partir de grandes navios metaneiros para outros de média e pequena dimensões”. Esses navios mais pequenos, explica, “terão melhores condições para operar nas zonas mais congestionadas do Mar do Norte e do Báltico”. A ideia é contribuir para diminuir a dependência da energia da Rússia, recebendo no Porto de Sines gás dos Estados Unidos da América (EUA) e da Nigéria, que seria então transportado via Sines através do transhipment (transbordo), para ser depois transferido para os países de leste e da Europa central, mas também para os países do norte do velho continente, cujos portos “estão muito congestionados”. Fonte governamental garantiu ao jornal Público que “o estudo técnico está completo” e que esta é “uma solução viável, flexível e alternativa, pois Sines tem uma posição geográfica central no Atlântico”.
Para além da prioridade de investir nas interconexões entre a Península Ibérica e o resto da Europa, não só para abastecimento de gás natural, mas também para reforçar, no futuro, a capacidade nacional de produção de hidrogénio verde “a baixo custo, beneficiando da facilidade em produção de energia solar”, o governo defende que é essencial ultrapassar o veto de França para conseguir passar o gás de Sines através dos Pirenéus.
De sublinhar que, como tem vindo a ser amplamente divulgado, a Europa se vê confrontada com uma dependência de 40% do gás que comprava à Rússia para suprir as suas necessidades de fornecimento antes do conflito russo-ucraniano, iniciado a 24 de fevereiro.

“Podemos ser um porto de acolhimento, de armazenamento e de transhipment de gás natural liquefeito, que pode vir das múltiplas rotas atlânticas”
António Costa

Porto de Sines

Porto de Sines – Vista Geral

 

RePowerEU diversifica aprovisionamento de gás

A Comissão Europeia criou a 25 de maio um novo grupo de trabalho na sua Direção-Geral da Energia para apoiar a plataforma energética da UE e garantir um aprovisionamento alternativo, no âmbito do projeto RePowerEU.
As linhas gerais do plano para tornar a Europa independente dos combustíveis fósseis russos até 2030, começando pelo gás, já haviam sido apresentadas em março, propondo uma série de medidas destinadas a dar resposta ao aumento dos preços da energia na Europa e a reconstituir as reservas de gás para o próximo inverno. A iniciativa europeia, cujo objetivo fundamental é diversificar o aprovisionamento de gás, visa ainda acelerar a implantação de energias renováveis e substituir o gás natural no aquecimento e na produção de eletricidade.
Como opina, na ADFERSIT, o presidente da Comunidade Portuária e Logística de Sines, o plano tem por ambição “aumentar a resiliência do sistema energético à escala da UE”, com base em dois pilares: diversificar o aprovisionamento de gás, através do reforço das importações de GNL e através de gasodutos de fornecedores não russos, bem como do recurso a maiores volumes de produção e importação de biometano e hidrogénio; e reduzir rapidamente o recurso a combustíveis fósseis nos lares, edifícios, indústria e sistema energético, através do reforço da eficiência energética, das energias renováveis e da eletrificação, assim como da supressão dos estrangulamentos nas infraestruturas.
O grupo de trabalho da plataforma energética começa a trabalhar a 1 de junho, e irá abordar, de imediato, as novas tarefas no plano RePowerEU, adotado a 18 de maio.

 

Sines pode ser porta de entrada para o GNL na Europa

O mundo vive, assim, a pior crise energética das últimas décadas, e os efeitos nefastos fazem sentir-se a todos os níveis e nas diversas camadas da sociedade, afetando tanto os setores de atividade onde o aumento do custo das matérias-primas mais se faz sentir (como o da logística), como o bolso dos contribuintes, com a escalada dos preços e uma taxa de inflação que, em março, atingiu máximos de 1993 em Portugal, situando-se nos 7,2%, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).
O aumento exponencial do Índice de Preços no Consumidor foi influenciado pelos produtos energéticos e alimentares não transformados: A taxa de variação homóloga do índice relativo aos produtos energéticos atingiu os 26,7%, o “valor mais alto desde maio de 1985”, adianta ainda o INE.
Como sublinha, em entrevista exclusiva à MOB MAGAZINE, o presidente da Administração dos Portos de Sines e Algarve (APS), José Luís Cacho, perante a profunda crise energética que a Europa atravessa, o Porto de Sines “assume-se como ponto estratégico para a inversão do paradigma de entrada de gás na Europa, para que se acabe com a dependência que estava criada no norte da Europa via gasodutos que existiam entre a Alemanha e a Rússia”.

Porto de Sines

“O Porto de Sines assume-se como ponto estratégico para a inversão do paradigma de entrada de gás na Europa, para que se acabe com a dependência via gasodutos entre a Alemanha e a Rússia”
José Luís Cacho

Gás ocupa 25% do mix energético nacional

O gás natural e as energias renováveis aumentaram a sua importância no mix energético da economia portuguesa durante as últimas décadas. De acordo com os dados que a Administração dos Portos de Sines e Algarve dispõe, referentes a 2021, o gás tem uma quota de cerca de 25% no mix energético do país.
Segundo o presidente da APS, Sines tem o único terminal de gás natural liquefeito de Portugal, que no ano passado recebeu mais de 4 milhões de toneladas deste produto, garantindo 94% das necessidades dos portugueses.
Já no primeiro trimestre deste ano, o consumo de gás natural em Portugal aumentou 6,6%, em resultado de um crescimento de mais de 100% na produção de energia elétrica. Como nota José Luís Cacho, esta tendência explica-se pela reduzida disponibilidade de energias renováveis.

 

Sublinhando, como vem afirmando nos últimos meses, que o Porto de Sines “tem capacidade para aumentar a sua resposta em termos de receção, armazenamento e distribuição de energia, em particular de gás natural”, José Luís Cacho defende que “Sines está extraordinariamente bem posicionado para fazer a ponte entre os EUA ou África e o resto da Europa”. Hoje “já temos capacidade para abastecer com gás natural liquefeito todo o mercado português”, garante. Capacidade essa que “até é sobrante”, pelo que o Porto de Sines “pode ser uma importantíssima porta de entrada para o GNL na Europa”. O presidente da APS acredita, pois, que Portugal “pode contribuir como solução alternativa, que resolva o problema de abastecimento da Europa”, através deste porto.
Na análise do presidente da Comunidade Portuária e Logística de Sines, Jorge d’Almeida, em um artigo de opinião publicado em março na ADFERSIT – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento dos Sistemas Integrados de Transportes, em 2021, a UE importou 155 bcm (mil milhões de metros cúbicos) de gás natural da Rússia, o que representa cerca de 40% do consumo da energia proveniente do gás (ver Infografia).
Recorde-se que o Porto de Sines recebe GNL norte-americano com destino à União Europeia desde 2016, e que os volumes provenientes dos Estados Unidos e da Nigéria têm aumentado bastante, atingindo cerca de quatro milhões de toneladas anuais. Atualmente, e como José Luís Cacho anunciou em abril, o porto “pode duplicar a capacidade do seu terminal de gás em menos de dois anos”, já que “tem condições para chegar a dez milhões de toneladas”. Para tanto, “é preciso duplicar as atuais infraestruturas”, mas os investimentos necessários “são relativamente pequenos e, se for tomada agora uma decisão, podemos ter a sua concretização dentro de um ano ou dois”, adianta.

Importação de gás pela UE à Rússia

Em 2021 a UE importou 155 bcm de gás natural da Rússia, equivalente a 112 milhões de toneladas e 900 TWh (terawatt-hora), o que representa cerca de 40% do consumo da energia proveniente do gás. A Agência Internacional de Energia (IEA) divulgou recentemente um plano para reduzir a dependência da UE do gás russo, denominado “10 Point Plan to reduce EU’s reliance on Russian Natural Gas”.

Neste desafiante contexto, quais são as prioridades de investimento no terminal de gás de Sines, e o que representa o reforço da sua capacidade para o potencial energético de Portugal nos mercados ibérico e europeu?
Insistindo que este porto tem todas as condições para ampliar a movimentação de GNL, o presidente da APS esclarece que o Porto de Sines está, “em conjunto com os principais stakeholders”, a estudar as alternativas disponíveis para reforçar o seu posicionamento no contexto europeu”.  Estas alternativas, detalha, “podem passar pelo aumento de capacidade de receber navios, com outros postos de acostagem, por construir novos tanques de armazenagem ou por criar condições para o transhipment de GNL”.
Segundo José Luís Cacho, se a Europa deixar de comprar gás à Rússia e começar a importar gás de outras geografias, “nomeadamente da bacia atlântica”, Sines “terá de estar preparado para receber e armazenar esse gás”. E, tal como já afirmou o primeiro-ministro, “podemos ser um porto de acolhimento, de armazenamento e de transhipment de gás natural liquefeito, que pode vir das múltiplas rotas atlânticas e de múltiplas origens para outras regiões europeias”.
Recordando que Sines integra a rede ibérica de gás natural, dispondo de um dos terminais que abastecem tanto Portugal como Espanha (os outros estão no país vizinho, como apresentamos na Infografia deste Especial), o dirigente da APS alerta que, para que Sines possa ter um papel no abastecimento europeu, “é fundamental ligar os pipelines da Península Ibérica à restante Europa”. E esta “é uma decisão que tem que ser tomada no seio da União Europeia”.

Porto de Sines

Porto de Sines – Terminal de Gás Natural

Capacidade do corredor ibérico de GNL

Espanha lidera a Europa na capacidade de receção de GNL, seguida pelo Reino Unido e pela França. Hoje tem seis terminais ativos com uma capacidade nominal de 61 bcm (mil milhões de metros cúbicos) por ano. Um sétimo terminal, El Musel, localizado em Gijon (Astúrias) foi construído em 2012, mas nunca foi ativado, e atualmente está a ser convertido para fornecimento de GNL para navios.

 

Pipeline entre Península Ibérica e centro da Europa é estrutural

O “reforço das interconexões energéticas” integra, de resto, os objetivos de política externa inscritos no programa do novo Governo. António Costa vem insistindo na necessidade de um pipeline entre a Península Ibérica e o centro da Europa, tendo afirmado, por ocasião da cerimónia de apresentação da primeira unidade de produção de hidrogénio verde e amónia (uma substância que substitui vários produtos de grande procura, como os fertilizantes), realizada a 22 de abril, em Sines, que “esse pipeline pode ser hoje para o gás natural, pode ser amanhã para o hidrogénio verde, e até para combinação dos diferentes gases”. Na sua opinião, trata-se de “uma infraestrutura da maior importância”, já que Portugal e Espanha, em conjunto, têm capacidade já instalada para suprir 30% das necessidades energéticas da Europa em gás natural”, e o mercado ibérico “só não pode disponibilizar essa capacidade porque não há interconexão que permita transportar esse gás natural”.
Considerando também que é fundamental investir num pipeline entre a Península Ibérica e o centro da Europa, para reforçar a interconexão energética e disponibilizar a capacidade já instalada na Península Ibérica a nível de gás natural, José Luís Cacho reitera à MOB MAGAZINE que, atualmente, as infraestruturas que existem “têm capacidade de injetar gás na rede ibérica”. No entanto, “para que o gás natural chegue a França, é preciso fazer investimentos. Consideramos muito importante construir uma nova ligação por pipeline entre Espanha e França, pelos Pirenéus, que tenha capacidade suficiente para ser uma verdadeira alternativa”.
Na sua perspetiva, “Sines pode contribuir para reforçar o fornecimento do centro da Europa através dessa nova ligação, em conjunto com os outros terminais ibéricos, criando o que seria um novo corredor de abastecimento pelo sul da península”. Por outro lado, “pode também ser reforçada a capacidade de realizar operações de transhipment em Sines, pois temos capacidade para receber grandes navios de GNL e transferir a carga para navios mais pequenos para o centro da Europa, por via marítima”, conclui.
Lamentando a “fragilidade europeia em relação ao setor energético” que a invasão da Ucrânia veio revelar, de um dia para o outro, o dirigente da APS é perentório ao afirmar que “a dependência do gás russo é um garrote à atividade económica na Europa, e até uma ameaça à sua segurança”. Neste contexto, “é fundamental inverter a situação” da dependência europeia do fornecimento de gás proveniente da Rússia, e “pôr em prática alternativas”, afirma, acrescentando que “felizmente, Portugal é dos países europeus que menos depende do gás russo”. De referir ainda que, segundo este responsável, Portugal e Espanha podem encaminhar até 20% das necessidades de gás da Europa por via marítima e através de um gasoduto de ligação à Argélia.
No que respeita à interligação da rede ibérica de gasodutos com o resto da Europa, Jorge d’Almeida corrobora que este avanço “implica um forte investimento em infraestruturas, particularmente na ligação transpirenaica”. O presidente da Comunidade Portuária e Logística de Sines critica o facto de que esta ligação aos Pirenéus esteja a ser “resistida pela França”, mas acredita que, presumivelmente, “irá finalmente avançar”.
Em resumo, e como defende o presidente da APS, “é essencial termos outras portas de entrada de gás para a Europa, e é essencial para Portugal que o novo pipeline venha a ser feito, até porque pode ser construído já a pensar no transporte do hidrogénio verde, que Portugal vai poder produzir a condições muito mais competitivas que o norte da Europa”.

O hinterland de Sines

Localizado no Sudoeste da Europa, a 58 milhas náuticas a sul de Lisboa, o Porto de Sines encontra-se no cruzamento das principais rotas marítimas internacionais Este-Oeste e Norte-Sul. A sua localização estratégica, aliada às suas características físicas, permitem posicioná-lo como o grande porto hub da fachada Ibero-Atlântica. O Porto de Sines tem como área de influência económica direta, isto é, hinterland direto, toda a zona sul e centro de Portugal. Como hinterland alargado, o Porto de Sines posiciona-se de forma muito competitiva na Extremadura espanhola e sobre todo o corredor até Madrid.

 

Produção de hidrogénio verde é urgente

E, de facto, a produção de hidrogénio verde e amónia em Sines vai ser uma realidade, a partir de fevereiro de 2024. O projeto, a cargo do consórcio internacional MadoquaPower2X, liderado pela empresa portuguesa Madoqua Renewables em parceria com a holandesa Power2X e a gestora de fundos dinamarquesa Copenhagem Infrastructure Partners, representa um investimento de 1000 milhões de euros.
Elogiada pelo primeiro-ministro, que a considerou “urgente”, esta unidade “terá capacidade para gerar 500 MWh de energia limpa, produzida com base em luz solar e água, e 500 mil toneladas de amónia verde”, como nos diz José Luís Cacho. Sublinhando que este investimento vai permitir criar 200 empregos diretos, o presidente da APS adianta que, numa primeira fase, “a fábrica de Sines vai produzir 50 mil toneladas de hidrogénio verde, que pode ser usado na indústria local, e 500 mil toneladas de amónia verde, que pode ser exportada através do Porto de Sines”.
Trata-se, nas palavras do responsável, de “um projeto relevante que vai evitar 600 mil toneladas de emissões de carbono por ano”. E que representa “o primeiro projeto de escala industrial neste setor, em Portugal”, contribuindo “com 10% a 15% dos objetivos totais de investimento em hidrogénio no nosso país”, avança.
Apresentada a primeira unidade de produção de hidrogénio verde, os projetos e investimentos da APS em curso na área dos biocombustíveis assumem um significado cada vez mais expressivo na transição energética para a energia limpa, com impacto a nível europeu.
Esta transição é, de resto, “um dos cinco pilares do Plano Estratégico do Porto de Sines” e, no atual contexto de crise energética – associado a uma conjuntura de absoluta necessidade em tornar os principais setores de atividade poluentes mais sustentáveis, aproximando-nos das metas assumidas de reduzir as emissões de carbono em 85%, até 2050 -, gera “um interesse crescente por Sines neste momento, nomeadamente pela sua área industrial e logística, que beneficia da proximidade do porto”. De referir que a primeira unidade de produção de hidrogénio verde vai ser construída na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS), um parque empresarial gerido pela AICEP Global Parques.
Em conclusão, e como também afirmou António Costa em Sines, “é fundamental diversificarmos as rotas de energia da Europa”, pelo que os esforços da APS para acelerar a transição energética, tanto através do aumento das interconexões energéticas entre a Península Ibérica e o resto do mercado europeu – medida que a Comissão Europeia assumiu como “uma opção estratégica” –, como pelo seu posicionamento no mercado global de hidrogénio verde, constituem um contributo inegável para a ideia (igualmente defendida pelo chefe de Governo) de que a União Europeia deve aproveitar a lição que a invasão da Ucrânia pela Rússia deu a toda a Europa.

“O dia 24 de fevereiro mudou o mundo e mudou, sobretudo, o ceticismo e a falta de visão. Hoje, ninguém pode ter dúvidas de que é mesmo prioritário investir na transição energética e na produção própria de energia na Europa”
António Costa, na apresentação da primeira unidade de produção de hidrogénio verde em Sines, a 22 de abril