Quantcast
Supply Chain 4.0

“A inovação será um fator chave para assegurar a competitividade das empresas do futuro”

Óscar Barranco, diretor da Empack e Logistics & Automation Porto, esteve à conversa com a MOB Magazine depois do regresso do evento à Exponor. Fazendo um balanço positivo do certame, este responsável diz que o setor se está a adaptar e mostra confiança de que a inovação será sinónimo de sucesso num futuro próximo.

  • Depois de dois anos de interregno, voltaram ao Porto para a sexta edição deste, certame. Tiveram 80 expositores e bateram o recorde de entradas. A avaliação, penso, será positiva. Confirma?

Efetivamente, muito aconteceu desde a última edição realizada no final de 2019, incluindo a bem conhecida pandemia que realçou a importância da embalagem e da logística para o mundo, tendo sido feitos grandes progressos nestes setores. Pode-se dizer que os profissionais estavam ansiosos por ver em primeira mão todos os últimos desenvolvimentos na indústria, e o recorde de 3200 visitantes únicos do comércio provou-o.

 

Penso que, neste momento, todos podemos dizer que não há nada como a cara a cara para algumas coisas e a possibilidade oferecida pelas feiras de participar numa conversa de negócios ou ver a máquina que se quer comprar em funcionamento, e com a explicação dos peritos que a desenvolvem, é algo que não é comparável a qualquer alternativa que a Internet possa oferecer, pelo menos de momento.

Portanto, sim, estamos muito felizes pelo reencontro que a Empack e a Logistics & Automation Porto significou para a indústria e pelo feedback recebido, não só dos visitantes mas também dos nossos expositores, a maioria dos quais já reservaram a sua participação para a próxima edição em 2023.

  • Precisamente neste período temporal, as necessidades de retalhistas e empresas aumentaram consideravelmente, fruto do boom no ecommerce. A Feira espelhou essa transição acelerada? Que inovações destacaria?
 

No último ano em particular, a tendência ascendente do consumo de bens em linha (não alimentares) em Portugal tem sido de 45% e tem constituído um amortecedor para a queda do consumo durante os períodos de confinamento. Mas é claro que este aumento da procura anda a par com uma infraestrutura que permite o fornecimento de produtos aos consumidores.

Tanto as inovações apresentadas pelos nossos expositores, como os temas do ciclo de conferências foram, em grande parte, um reflexo deste boom do comércio eletrónico e os visitantes puderam encontrar ferramentas e conteúdos adaptados às suas necessidades atuais; softwares de rastreabilidade; sistemas de otimização de rotas; embalagens para transporte de mercadorias; soluções para transformação digital na gestão da procura, e muito mais.

 

  • O setor da embalagem, mas também do transporte, é um dos que mais tem lutado para acelerar a sua transição verde. Concorda com esta afirmação e quais são os desafios do (destes) setor (es)?

Sim, a transição ecológica de todos os agentes da cadeia de abastecimento, começando pela embalagem e terminando nos consumidores, já não é uma opção. É algo que é necessário para assegurar a continuidade do planeta em que vivemos.

 

Neste sentido, a União Europeia tem vindo a construir os quadros legais dentro dos quais os setores devem operar, incluindo os setores da embalagem e da logística. O maior desafio para a embalagem não é apenas encontrar alternativas viáveis aos combustíveis e materiais fósseis e de utilização única, mas também educar o público nesse sentido. Veremos muitos avanços no ecopackaging, ou seja, a conceção de embalagens com o pensamento sustentável em mente, desde a sua criação a combustíveis alternativos, assim como a fusão destes para alcançar uma fórmula que funcione em termos de custo para a empresa e sustentabilidade ao mesmo tempo.

  • Os grandes desafios de futuro estarão, em termos de embalagem e transporte, também nas entregas?

Penso que em termos de entrega temos agora duas correntes de pensamento. O transporte e a entrega são serviços que, antes de 2020, o consumidor tomava por garantido e estava relutante em pagar mais por ele, mesmo que fosse entregue em 1h em casa. Agora enfrentamos num novo paradigma e parece haver uma mudança nos hábitos de consumo. Por isso a escolha é se o consumidor valoriza este serviço expresso de entregas ao domicílio pelo ser um serviço premium e está disposto a pagá-lo, ou a recebê-lo um pouco mais tarde. Como a Uber Eats já faz, onde pode pagar ao estafeta para lhe entregar diretamente ou fazer outras entregas pelo caminho, ou se as entregas ao domicílio estão destinadas a serem substituídas por pontos de recolha, tais como as caixas de entrega da Amazon.

 

  • Anunciaram já novas datas para 2023, mas a grande novidade prende-se com a ampliação das áreas que eram ter exposição. Quais são as vossas expetativas e quais as razões para esta expansão?

De facto, as datas para 2023 já foram confirmadas: 19 e 20 de Abril na Exponor. Será uma edição marcada pelo lançamento de um novo espaço de exposição, Transport & Delivery, que oferecerá ao setor um novo ponto de encontro para o setor dos transportes. Com este novo espaço, o evento completa, por assim dizer, o ciclo completo desde a conceção da embalagem, maquinaria de embalagem, embalagem, rotulagem, armazenamento, logística e agora também a entrega do produto.

O empenho e o investimento que, como já mencionámos, está a ser realizado para desenvolver os desafios da embalagem, da logística e do transporte, fará inevitavelmente crescer estes setores e nós, como ponto de encontro, devemos crescer de mãos dadas com os setores que representamos.

  • Portugal e Espanha são vistos, de forma crescente, como um pequeno mercado único dentro do mercado único europeu. Confirma esta perspetiva? Quais são os maiores desafios dos operadores, dada a sua experiência e contacto com expositores e curiosos por novidades neste setor?

Na Easyfairs, organizamos, para além da Empack e Logistics & Automation Porto, mais de 200 eventos industriais em toda a Europa e temos uma visão global para as nossas marcas e uma visão local para as nossas comunidades. Cada região tem as suas particularidades e nós dispomos de uma oferta diferente para cada uma delas. Os eventos em Madrid, Porto, Bilbao ou Milão são diferentes, da mesma forma que a comunidade à qual nos dirigimos também é diferente. Os nossos eventos baseiam-se na valorização dos aspetos que os diferentes países partilham e diversificar a oferta para cada comunidade local, é um exercício de equilíbrio que a EasyFairs tem vindo a dominar há muitos anos. Isto significa que Espanha e Portugal podem ser considerados um mercado único em alguns aspetos (proximidade, acordos comerciais, sinergias culturais…) e mercados separados para alguns outros (diferentes pesos específicos das suas indústrias, língua, PIB, número de empresas por sector, iniciativas de I&D…).

  • Os dois países estão juntos de diversas formas e também no plano da inovação vamos vendo algumas iniciativas neste âmbito. Este (inovação) será um fator-chave para a competitividade das duas economias?

Evidentemente que a inovação será um fator chave para assegurar a competitividade das empresas do futuro. Em relação à sustentabilidade como o principal desafio, não acredito que hoje em dia exista qualquer empresa sem objetivos ambientais, que, aliás, já começam a ser impostos por lei.

A inovação é uma das principais atrações que a comunidade exige de nós nos nossos eventos e, é por isso que este ano tivemos Tours de Inovação, visitas guiadas para grupos selecionados de visitantes em torno de stands escolhidos pelos seus produtos inovadores. Tem sido uma das atividades favoritas dos nossos participantes.

Mal posso esperar para ver o que há de novo em 2023, todos os anos ficamos espantados com o desenvolvimento, adaptação e resiliência da nossa indústria e considero-me privilegiado por poder testemunhá-lo.

  • Depois de uma pandemia, agora uma guerra, uma disrupção total na cadeia de abastecimento… A eficiência e inovação são as chaves para sairmos desta(s) crise(s) e estarmos melhor preparados para um futuro que parece cada vez mais incerto?

Bem, na verdade acredito que não existe uma chave única para o futuro, mas sim que haverá vários pontos que farão a diferença em relação aos anos que nos precederam. De facto, já podemos começar a vislumbrar algumas delas. As mudanças nos sistemas de planeamento da procura são um bom exemplo, não só porque estão a tornar-se cada vez mais digitalizados, mas também porque, devido a faltas e problemas numa cadeia de abastecimento globalizada, as encomendas de stocks estão a ser feitas com mais de 6 e 9 meses de antecedência, algo que era impensável há apenas alguns anos atrás.

Tenho a certeza de que o setor saberá adaptar-se às necessidades e avançará, crescendo e inovando como sempre o fez.