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Mobilidade

Dados podem transformar a mobilidade urbana, mas Portugal tem ainda muito por fazer

Dados podem transformar a mobilidade urbana

Do planeamento das infraestruturas à promoção de comportamentos mais sustentáveis, em termos ambientais, os dados podem dar um contributo para a mobilidade urbana. Portugal está a dar os primeiros passos nesse sentido, mas ainda falta uma aposta musculada na recolha de informação e também quem a trate e interprete.

Todos os dias, vários milhões de pessoas transitam pelas diversas cidades do mundo, tornando a mobilidade nesses centros urbanos um desafio. Só na capital portuguesa, o número de residentes já ultrapassou os 2,87 milhões de indivíduos, segundo os Censos de 2021, aos quais se somam turistas e os demais visitantes. Recolher dados sobre os movimentos desses cidadãos pode ser uma das chaves para a boa gestão e planeamento das cidades, mas, dizem os especialistas, por cá, não se está a apostar de forma musculada na identificação dessa informação, nem há recursos humanos qualificados em número suficiente que sejam capazes de interpretar os números potencialmente recolhidos. Portugal está, assim, a dar ainda “os primeiros passos” na conexão entre a mobilidade e os dados.
De acordo com os Censos, a população residente da Área Metropolitana de Lisboa passou de 2.821.876 pessoas em 2011 para 2.871.133 em 2021, o que corresponde a uma subida de 1,7%. A esse universo de indivíduos que ocupam e se deslocam diariamente na capital, somam-se milhares turistas e os visitantes, que, depois de uma quebra abrupta nos períodos mais críticos da crise pandémica, têm vindo novamente a encher as ruas da capital. A mobilidade nesta cidade portuguesa tem enfrentado, por isso, acrescidos desafios, mas a recolha e tratamento de dados pode dar um contributo importante para a melhoria da organização desses fluxos.
“Como muitas coisas nas cidades, a mobilidade rege-se por padrões: a época do ano, as características das vias, se está a chover ou não, se existe uma greve, se existem mais ou menos transportes, se existe um corte de trânsito. Tudo isto é descrito por dados, sendo que muitos deles são recolhidos em tempo real”, começa por explicar João Tremoceiro, diretor do Centro de Gestão e Inteligência Urbana da Câmara Municipal de Lisboa. Segundo nota este especialista, esses dados permitem “caracterizar e descobrir como funcionam esses padrões”, ajudando os responsáveis, por um lado, a fazer previsões e, por outro, a tomar decisões no sentido de “evitar ou minimizar problemas”, nomeadamente no que diz respeito à mobilidade. “Se este conhecimento é importante na gestão operacional do dia-a-dia, é também importante para suportar decisões de planeamento. Podemos ser assim mais eficientes no uso dos nossos recursos”, sublinha.
Miguel Rodrigues, managing director para Portugal da Yunex Traffic, empresa que se dedica ao desenvolvimento de soluções inteligentes para o trânsito, concorda: “A utilização de dados pode ter um impacto positivo na organização mais eficiente da mobilidade urbana, desde logo no planeamento”, nomeadamente das infraestruturas. Este especialista destaca, por sua vez, a importância de os dados serem recentes e “de qualidade”. E dá um exemplo da sua potencial utilidade: “Consideremos o estudo de alternativas para melhorar o desempenho de um cruzamento numa cidade. Dispor de dados nos pontos relevantes permite criar um modelo virtual de ponto de partida, a chamada baseline. Com esta baseline, podemos ensaiar intervenções”. Ou seja, a partir desse modelo, os responsáveis podem ponderar se são precisos semáforos no cruzamento, se é necessária a alteração da programação dos que já lá estão, se é preciso construir uma rotunda ou se pode ser relevante avançar não só com essa construção, mas também instalar semáforos complementares. “Depois de construída a baseline, é possível simular as diferentes intervenções possíveis e, assim, fazer uma análise de custo e benefício da adoção de cada uma delas, de forma instruída”, realça Miguel Rodrigues.

Dados podem transformar a mobilidade urbana

“Note-se que na base estão dados recentes, com qualidade, para que todo o edifício de decisão seja, no final, sólido”
Miguel Rodrigues, managing director para Portugal da Yunex Traffic

Já Paula Teles, CEO da MPT, empresa de planeamento e gestão de mobilidade, e especialista em mobilidade urbana inclusiva e sustentável, enfatiza o papel que os dados podem ter, por exemplo, na pegada carbónica de uma cidade e até na saúde dos indivíduos que por lá passam. “Com dados, conseguimos avaliar a pressão e os impactos da mobilidade e, deste modo, estudar as suas externalidades. Por exemplo, [conseguimos estudar] as emissões com efeito de estufa para a atmosfera”, afirma a especialista. Já quanto à saúde, adianta: “O cruzamento de dados permite-nos perceber as relações causa-efeito que daí advêm. Por exemplo, [permite-nos perceber] que nos dias de maiores emissões de carbono, aumentam as entradas de pessoas nos hospitais com problemas respiratórios e alérgicos. Os dados evidenciam ainda que em cidades onde se promovem percursos pedonais acessíveis e confortáveis, aumenta a saúde pública”. Ou seja, salienta Paula Teles, em concordância com Miguel Rodrigues e João Tremoceiro, os dados são “essenciais” para o planeamento das cidades, das infraestruturas à sinistralidade rodoviária, passando pelas políticas de saúde. Mas a recolha desses dados não está isenta de desafios, que em Portugal também estão presentes.

Faltam dados e também quem saiba interpretá-los

As palavras são de João Tremoceiro: “Os dados, tal como o dinheiro, estão sempre em falta”. E perante esta conclusão, é preciso apostar mais na sua recolha, sobretudo num país como Portugal, que ainda não faz o suficiente nesse sentido. Mas o desafio não se fica por aí. “A realidade mostra que o mais difícil não é obter os dados”, salienta o especialista da Câmara Municipal de Lisboa. Antes, o mais complicado é “mudar as organizações para se tornarem mais data driven”. “Temos de aprender a utilizar os dados que temos para suportar melhor as decisões”, defende, assim, João Tremoceiro. E insiste: “Os dados, por vezes, até existem, mas as organizações têm dificuldade em alterar as suas práticas de gestão para os incorporarem nos seus processos de decisão. No caso de não existirem dados e eles serem importantes para suportar uma melhor decisão, tem de se investir na sua aquisição e integração. Só assim, no futuro, quando nos depararmos com problemas semelhantes, poderemos tomar uma melhor decisão”.
João Tremoceiro avisa, além disso, que os responsáveis tendem a querer “os dados com urgência”. Ora, tal não existe, se não se tomarem hoje as decisões para que essa informação venha a estar disponível quando for necessária, diz. “O que interessa são dados recolhidos em tempo real e grandes volumes de dados. [Interessam] dados que nos dizem, ao longo das 24 horas do dia e de todos os dias do ano, qual a temperatura, pluviosidade, vento, poluição do ar, contagens de viaturas por via, como é a utilização dos sistemas de micro-mobilidade, transportes públicos, eventos e incidentes. Só isso nos permite conhecer o pulsar da cidade e fundamentar melhor as nossas decisões e fazer a sua monitorização e avaliação”, realça.
Por outro lado, o responsável revela que estão também em falta recursos humanos qualificados na análise da informação em causa. “Isso é um problema, que é ainda mais grave na Administração Pública”, explica o diretor do Centro de Gestão e Inteligência Urbana de Lisboa, que, deste modo, sublinha que, em Portugal, “ainda estamos no início do caminho para se passar a utilizar dados como suporte dos processos de decisão, seja na área da mobilidade ou noutras”.
Também Paula Teles considera que Portugal não está avançado nesse percurso. “Faltam dados. Se, por um lado, a aquisição destes equipamentos ainda é muito dispendiosa, poucas são também as entidades que apostam neste trabalho de planeamento”, descreve. E atira: “Em Portugal, infelizmente, estamos muito voltados para medidas de intervenção curativas”. A ausência de planeamento pode, de resto, antecipa a especialista, resultar num círculo vicioso, levando à adoção de “medidas que vão atrás do prejuízo”, o que acaba por diminuir o tempo de que os responsáveis dispõem para “pensar melhor sobre o que está efetivamente na causa dos problemas”. “É urgente inverter este modelo de trabalho”, apela a especialista. “Os dados são ainda muito residuais. E se não há dados, não há avaliação. Assim, continuamos a trabalhar de forma avulsa e sem planeamento. Esse é o grande problema do nosso país: ausência de planeamento para a mitigação dos problemas e, por consequência, melhoria da qualidade de vida dos cidadãos”, entende a CEO da MPT.

Dados podem transformar a mobilidade urbana

“Faltam dados. Se, por um lado, a aquisição destes equipamentos ainda é muito dispendiosa, poucas são também as entidades que apostam neste trabalho de planeamento”
Paula Teles, CEO da MPT e especialista em mobilidade urbana inclusiva e sustentável

Miguel Rodrigues pinta um retrato semelhante sobre o trabalho que está a ser feito por cá nessa relação entre os dados e a mobilidade: falta informação, mas também quem a trate. “Nalguns casos, faltam fontes de dados, isto é, equipamentos, ligações a sistemas já existentes, campanhas de recolha e atualização de dados de tráfego”, admite. “Noutros, faltam pessoas com qualificações para poderem com as ferramentas certas (que, por vezes, também estão em falta) estudar a organização da mobilidade, para atuar no sentido da melhoria da sua eficiência”, acrescenta, realçando que este cenário depende da cidade em foco. Além disso, o responsável da Yunex avisa que falta, “em quase todas as organizações, o mindset de modelar, simular e decidir, reduzindo o custo total da decisão”. Ou seja, tal como João Tremoceiro defende, é preciso que as organizações sejam elas próprias mais movidas pelos dados.
“Os dados e as tecnologias para os trabalhar permitem hoje efetivamente reduzir os riscos da decisão e o seu custo total”, afirma Miguel Rodrigues, que se mostra, ainda assim, otimista quanto ao futuro de Portugal nesta matéria. “Acima de tudo, têm sido dados passos muito interessantes no domínio das políticas de dados abertos (ou seja, colocar ao dispor da comunidade geral os dados de que as cidades dispõem para que possam surgir soluções inovadoras, de análise ou aplicação desses dados) e da experimentação das múltiplas tecnologias de aquisição de dados hoje disponíveis”. Para este responsável, o país atravessa, com efeito, uma “fase de experimentação”.
“Já se começam a dar os primeiros passos”, concorda a Soltráfego, empresa que é, segundo a própria, líder nacional no mercado de mobilidade. Fonte oficial admite, ainda assim, que na maior parte do território nacional “este é um desafio que tem ainda de ser agarrado”. “Colecionar, tratar e analisar dados, disponibilizar informação aos decisores públicos, individuais e à academia tem de ser uma constante desde já e não apenas no futuro”, apela a Soltráfego, para a qual existe não apenas um “grande défice na recolha sistemática de dados relevantes”, mas também dificuldades no “armazenamento para tratamento futuro” dessa informação e escassez de pessoal capaz de levar a cabo essa tarefa. “Sem isto [recursos humanos dirigidos especificamente para os dados], não é possível tirar o valor dos dados. Sem isto, não se pode falar de cidades mais inteligentes e mais sustentáveis”, considera fonte oficial desta empresa sediada em Matosinhos.
Por sua vez, Mário Alves, engenheiro especialista em transportes e mobilidade, reconhece “alguns progressos”, nomeadamente com o lançamento do “Inquérito à mobilidade nas Áreas Metropolitanas do Porto e de Lisboa”, mas frisa que a recolha de dados “continua a ser extremamente reduzida”. “Por parte de algumas autarquias, que iniciaram os seus Planos de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS), houve também algum esforço na recolha de dados, mas na maior parte das vezes não é óbvio quais os resultados, para que foram usados esses dados no processos de decisão e raramente são publicados de forma a permitir uma consulta fácil por parte de todos”, detalha o especialista, que também é vogal na Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi).
Quanto aos recursos humanos, Mário Alves denuncia a escassez, juntando-se às vozes já mencionadas, e observa que a Administração Pública “está praticamente fechada há cerca de 20 anos”, não tendo adquirido, assim, ao longo dos últimos anos, os quadros qualificados que seriam necessários para analisar a informação em causa. “Num contexto de transformação de paradigma, é extremamente grave a falta de jovens a colocar novas formas de mobilidade na agenda técnica da Administração Pública”, diz.
Perante este cenário, a MUBi propôs, por exemplo, um programa de formação de técnicos, no seio dos organismos públicos nas áreas da mobilidade ativa e sustentável. “A formação e actualização de técnicos de autarquias, institutos públicos e outros organismos do Estado, nas áreas da mobilidade ativa, inclusiva e sustentável e cidadania rodoviária, é fundamental para promover a alteração dos atuais padrões de mobilidade”, defende o especialista, que acrescenta que também é relevante a contratação de técnicos para a área da mobilidade ativa nas administrações locais.

Dados podem transformar a mobilidade urbana

“Por parte de algumas autarquias, que iniciaram os seus Planos de Mobilidade Urbana Sustentável, houve também algum esforço na recolha de dados, mas na maior parte das vezes não é óbvio quais os resultados, para que foram usados esses dados no processos de decisão e raramente são publicados de forma a permitir uma consulta fácil por parte de todos”
Mário Alves, engenheiro especialista em transportes e mobilidade e vogal da MUBi

Dados podem ajudar as cidades a serem mais amigas do planeta

Além de contribuírem para a definição acertada de novas infraestruturas para os transportes ou para a resolução dos problemas de congestionamento rodoviário, os dados podem também ter um papel importante na transformação dos centros urbanos, no que diz respeito à sua pegada ambiental. Isto numa altura em que se têm multiplicado os alertas e os apelos para que se tomem medidas, nas mais variadas áreas, para lutar contra as alterações climáticas, mitigando os efeitos que daí poderiam resultar.
“Com a sustentabilidade, vieram os modos suaves (bicicletas e trotinetas) e as políticas de clean air zones, que em Portugal ainda não têm concretizações relevantes, mas que são uma tendência a nível internacional. Ainda assim, as nossas avenidas são as mesmas e não vão aumentar a sua capacidade absoluta. O desafio é dispor de mecanismos evoluídos de gestão dos modos de transporte – portanto, da informação produzida por esses modos – no sentido de potenciar aqueles que são os mais sustentáveis e melhorar a sua coabitação”, sublinha o managing director para Portugal da Yunex Traffic.
Miguel Rodrigues dá um exemplo: o cruzamento de dados relativos aos parques de estacionamento, ao tempo médio de viagem e à disponibilidade de modos suaves permite, através de canais de comunicação com os cidadãos, influenciar as suas decisões. “Imaginemos que, para reforçar a política de clean air no interior de uma cidade, se adequa a gestão de tráfego rodoviário visando uma menor entrada de veículos no centro”, propõe o especialista. Ora, para evitar a acumulação de tráfego, os dados poderiam ser usados para informar o condutor sobre o tempo de viagem que lhe resta para o centro da cidade, comparando a utilização do carro com o metro ou com um sistema de bicicletas partilhadas. Esse canal de comunicação com o cidadão poderia também, projeta o responsável, informar com antecedência sobre os lugares de estacionamentos disponíveis ou sobre as bicicletas que se encontram prontas a ser usadas na estação mais próxima.
“É um exemplo teórico, mas que serve para ilustrar o alcance e a utilidade da boa informação para influenciar comportamentos. Ainda que teórico, há cidades que, aproximando-se deste modelo, viram metade dos condutores que, num dia, optaram por estacionar as viaturas próprias, mudarem efetivamente os seus hábitos de mobilidade no sentido de uma maior racionalidade e sustentabilidade”, realça Miguel Rodrigues.
A Soltráfego partilha dessa visão: “a disponibilização de tempos de percurso de transporte individual e coletivo, bem como dos custos reais de ambos, vai permitir que a decisão individual sobre as nossas deslocações casa-trabalho ou casa-escola possa ser tomada de modo mais informado”. Fonte oficial alerta, ainda assim: “Aqui tão importante como ter dados é saber como vamos fazer chegar a informação ao público em geral para que todos possamos decidir bem.”
Já João Tremoceiro salienta que a recolha e tratamento de dados permite planear melhor, por exemplo, uma nova via ciclável ou um terminal de transportes públicos, além de servir potencialmente como base para medidas com vista a promover a alteração de comportamentos dos utilizadores da rede de transportes, tal como defendem o responsável da Yunex Traffic e fonte oficial da Soltráfego. Em contraste, Paula Teles deixa um alerta: “Não caiamos no erro de termos de esperar por dados para implementar as medidas de mobilidade urbana sustentável”. Para a CEO da MPT, os dados são fundamentais para o planeamento, mas mesmo sem eles já é possível dar passos decisivos rumo à sustentabilidade ambiental. “Do ponto de vista estratégico, sabemos exatamente quais devem ser as opções dos modos de mobilidade, como garante de uma mobilidade sustentável. Os dados serão essenciais para reforçar a mudança cultural de mobilidade na melhoria da qualidade ambiental”, afirma a especialista em mobilidade urbana inclusiva e sustentável.

Da Indonésia à Alemanha, o que pode Portugal aprender com os exemplos internacionais?

Se em Portugal a conexão entre o tratamento de dados e a gestão da mobilidade só agora está a dar os seus primeiros passos, noutros países esse trabalho já está mais avançado, asseguram os especialistas ouvidos. Por exemplo, uma nota publicada pela EY, assinada pelo responsável dessa consultora pelo futuro da mobilidade, John Simlett, e pelo responsável pelo setor público, George Atalla, destacava-se que, na Indonésia, em Jacarta, já se “usam dados e análises em tempo real dos seus sistemas de trânsito” para descobrir as rotas mais eficientes para os autocarros rápidos. “Assim, utilizam esta informação para melhorar o desempenho e a satisfação dos seus passageiros”, escreviam os especialistas da EY.
Mas nem é preciso mudar de continente para encontrar exemplos de como os dados podem ser úteis na gestão da mobilidade urbana. Mário Alves identifica o CrashMap, do Reino Unido. Em causa está, como o nome indica, um mapa que indica aos condutores que incidentes estão em curso, onde aconteceram e que gravidade lhes está associada. “Na Suíça, o Office Fédéral de la Statistique publica o ‘Atlas statistique de la Suisse’, que é um bom exemplo de como os dados estatísticos são disponibilizados para todos, de uma forma fácil e atraente”, acrescenta o vogal da MUBi.
Já Paula Teles destaca Groningen como exemplo de utilização de dados a favor da boa gestão da mobilidade. “Em 50 anos de exercício de planeamento da mobilidade urbana sustentável, com a permanente monitorização de dados e, respetivas implementações de medidas concretas no terreno, em articulação com a população, hoje Groningen é uma cidade carbono zero. É algo muito estimulante e que vale a pena conhecer e sentir no local”, explica a CEO da MPT.
Por sua vez, Miguel Rodrigues assegura: “há muitos bons exemplos de grandes cidades, como Londres, que revolucionaram totalmente a sua estratégia de gestão de tráfego, incorporando algoritmos de previsão e adaptação inteligentes”. Além dessa cidade britânia, o managing director para Portugal da Yunex Traffic realça Wiesbaden, na Alemanha, “que adaptou a sua estratégia de gestão de tráfego com base em dados provenientes de sensores ambientes, reduzindo dinâmica e automaticamente a pressão do tráfego em função da qualidade do ar”.
A estes exemplos, o especialista soma ainda outro: Tychy, na Polónia. Nesta cidade, frisa Miguel Rodrigues, “a criação de um novo centro de controlo de tráfego congregou uma panóplia muito alargada de subsistemas, orquestrados para otimizar a mobilidade na cidade. Um dos elementos mais importantes do sistema é a prioridade no atravessamento de cruzamentos que é dada a mais de 170 autocarros e elétricos, assim como a 15 veículos de emergência. Foram ainda instaladas, para além de 600 câmaras de monitorização de tráfego, 20 estações de monitorização ambiental nas ruas da cidade, medindo níveis de poluição e de ruído. Foram também criadas seis zonas de mediação de velocidade e cinco estações de pesagem dinâmica para camiões, visando a melhoria da segurança da circulação na cidade”.
Para o responsável da Yunex Traffic, as medidas referidas são “alguns dos ingredientes mais notáveis” do sistema dessa cidade polaca, que, “combinando a informação de forma inteligente”, não só atua diretamente sobre a gestão de tráfego, mas também “produz informação útil para os condutores, sendo esta apresentada em 20 painéis de informação”. Aliás, as mesmas informações foram incluídas num portal de informação para os cidadãos, adianta o responsável, que remata: “Considero este projeto interessante não apenas pela combinação de tecnologias, mas por ilustrar precisamente a adoção em escala, reforçando a segurança, a qualidade de vida nas cidades e a sustentabilidade ambiental.”