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Evento

5.ª edição do MobLab Congress ‘levou’ mobilidade inteligente à cidade do Porto

5.ª edição do MobLab Congress

5.ª edição do MobLab Congress. Durante dois dias, discutiu-se no Museu do Carro Elétrico, na cidade do Porto, o que de melhor se está a fazer em termos de mobilidade inteligente na cadeia de abastecimento. Com mais de 100 participantes a assistirem ao evento, a cerimónia de abertura esteve a cargo do Dr. Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto. A MOB Magazine traz-lhe agora o resumo dos dois dias de debate.

Realizou-se no passado dia 6 e 7 de julho mais uma edição do MobLab Congress, evento do grupo Abilways Portugal, do qual a MOB Magazine é parceiro de media e dinamizador. O evento realizou-se no Museu do Carro Elétrico, na cidade do Porto, tendo como parceiros a Câmara Municipal do Porto e a Sociedade Transportes Coletivos do Porto (STCP).

Durante dois dias, as sessões ficaram marcadas pela abordagem de diversos investigadores e empresas que nos deram, num primeiro dia, os seus pontos de vista sobre Transição Energética, Sustentabilidade, Economia Azul e Transporte de Cargas, e num segundo dia abordando temáticas como a Logística Sustentável e o Abastecimento Urbano, mas também sobre Intermodalidade e Cidades Inteligentes e Cibersegurança e Automação da Rede de Transportes.

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Dr. Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto Jose-Luis Barbajosa, CEO Norauto Portugal  e Telma Lopes, Learning & Project Manager na Abilways Portugal

Com a cerimónia de abertura a realizar-se com uma intervenção do presidente da autarquia local, Dr. Rui Moreira, o discurso do autarca começou por incidir, precisamente, sobre o espaço escolhido para receber o evento, descrevendo-o o presidente da Câmara do Porto como “um espaço que conta a história dos transportes e da mobilidade da cidade do Porto”.

“A mudança do paradigma da mobilidade das cidades é hoje um imperativo indiscutível. Todos concordamos que é preciso fazer alguma coisa. A sua concretização implica um diálogo permanente entre a mobilidade, os transportes, a logística, tecnologia, inovação e aquilo a que hoje chamamos as cidades. É esse diálogo que durante dois dias, aqui, reunindo os principais especialistas nacionais nestas áreas, que queremos tornar mais profícuo, abordando temas para em conjunto promover uma transição energética e climática e reduzirmos a nossa pegada de carbono”, começou por referir, lembrando que as metas europeias visam a descarbonização dos transportes até 2050.

“Este é um objetivo difícil que só será possível alcançar com meios de transporte com baixas emissões de carbono e veículos com emissões zero, mas também através de um planeamento urbano que privilegie a utilização dos transportes públicos”, continuou o autarca. “É por isso crucial agirmos e inovarmos em matéria de mobilidade nas cidades e no município do Porto já começámos este caminho há muito tempo”, afiançou, antes de concretizar algumas medidas do executivo.

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Irene Moreira, Head of Content – Congressos, Abilways Portugal
e António Nabo Martins, presidente da APAT
Alexandra Monteiro, investigadora do CESAM

“Quando eu tinha nove ou dez anos, utilizava alguns dos veículos que estão aqui para ir e voltar da escola. Os meus filhos não vão utilizar o transporte público para ir para a escola, mas espero que os meus netos utilizem e tenho a certeza que os meus bisnetos vão ter que os utilizar”, finalizou o autarca.

A sessão da manhã começou depois, oficialmente, com Nelson Lage, com presidente da ADENE – Agência para a Energia, falando sobre a temática relacionada com “Os desafios da integração ibérica na rede europeia de energia”, abrindo a sua intervenção enaltecendo a índole do Moblab Congress, por fazer a ponte entre “mobilidade, tecnologia, transportes, logística e transportes inteligentes”, lembrando o contributo da ADENE na área da energia, concretizando que o impacto da pandemia de Covid-19, mas sobretudo agora com a guerra da Ucrânia, foi concreto, afirmando que estes eventos puseram na agenda temas para “os quais não estávamos preparados” sobretudo porque continuamos a “achar que a energia é um dado adquirido”.

Após esta intervenção, seguiu-se uma mesa-redonda, moderada pelo diretor editorial da revista MOB Magazine, onde foram discutidas as “Opções mais viáveis para abandonar os combustíveis fósseis”. Com a participação de Ana Luís de Sousa, Membro do Programa Future Energy Leaders, do World Energy Council, Manuel Reis, Vice-Presidente da UVE, João Amaral, Country Manager, da Voltalia e Carlos Abreu, Diretor de Unidade de Manutenção da Frota STCP, representando setores e interesses diversos. Neste painel discorreu-se sobre os impactos da eletrificação e de que forma poderíamos chegar mais rapidamente a uma mobilidade descarbonizada.

A sessão continuou depois com David Rua, Coordenador do Centro de Sistemas de Energia, INESCTEC, falando sobre a “Matriz energética global mais limpa”, sistematizando pontos relacionados os desafios de uma transição a diferentes velocidades e o papel dos decisores políticos e empresas e a sua reação à pressão das opiniões públicas.

Após uma breve pausa, o dia de trabalhos continuou inaugurando mais um espaço do seu programa, discutindo-se critérios de sustentabilidade na mobilidade. Recomeçando o debate com um painel com a moderação de Irene Moreira, Head of Content de Congressos, da Abilways Portugal, Eduardo Feio, Presidente, IMT, Miguel Pinto Luz, Vice-President da Câmara Municipal de Cascais, Jose-Luis Barbajosa, CEO da Norauto Portugal, e Pedro Ribeiro, Administrador da CP Comboios de Portugal, discutiram a “Colaboração público-privada”, abordando aspetos como os obstáculos dos ciclos políticos e a politização das soluções, mas também soluções sustentáveis e competitividade económica.

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José Viegas, Presidente do TIS Cristina Pimentel, Presidente da STCP

Ainda antes da pausa para almoço, José Manuel Viegas, presidente do TIS, fez uma apresentação muito aclamada sobre “Espaço para a mobilidade de baixo carbono”, trazendo diversas problemáticas para discussão. Na sua intervenção, este especialista lembrou as dificuldades de fazer mudar mobilidade para um novo patamar de sustentabilidade, afirmando ser essencial que a mobilidade não promova a exclusão, lembrando que são necessárias medidas públicas para alterar a realidade da mobilidade em Portugal.

Em súmula, este especialista defende alguns pontos-chave para acelerar a mobilidade de baixo carbono, entre os quais “Prioridade à Descarbonização dos Transportes sem prejudicar o progresso nos outros objetivos Sum4All”, “Assegurar que a transição para os EV (veículos elétricos) é feita de forma inclusiva, sem criar excluídos (foco no mercado de ocasião), defendendo a criação de “Programas de incentivo à substituição acelerada de veículos ICE em frotas profissionais”, sendo que o “principal objetivo no curto-médio prazo deverá ser o de criar condições para que boa parte dos condutores cativos usem de vez em quando outros modos”, sendo que, para tal, será necessário “afetar bicicletas para um em cada 10 dos lugares de estacionamento automóvel na via pública, começando pelos quarteirões próximos de pistas cicláveis”, lembrando também ser crucial “assegurar a responsabilidade contratual efetiva dos operadores públicos” de transporte.

O período da manhã fechou depois com uma intervenção de Tiago Cavaco Alves, Country Team Lead da FlixBus, explicando o gestor o processo de entrada da empresa em Portugal, o seu propósito e também os caminhos já percorridos no auxílio a novas formas de mobilidade dependentes do transporte coletivo.

Lembrando que o foco dos transportes coletivos deve ser a utilidade concreta para os utilizadores, Tiago Alves defendeu que a Flixbus está focada em tentar ter sempre uma alternativa para os passageiros. “Há sempre uma alternativa de mobilidade a passar. Queremos trazer cada vez mais pessoas para este ecossistema. Agora, dizem os senhores, os autocarros também usam combustíveis fósseis… É verdade. Também aí temos tentado fazer o nosso papel”, lembrando que a Flixbus trabalha para que toda a sua frota seja Euro VI, mas destacando que, em 2018, fizeram os primeiros testes com autocarros elétricos e em 2020 com autocarros com painéis solares.

MobLab Congress“Queremos muito aproximar-nos deste desígnio comum que é a neutralidade de carbono no transporte de passageiros de longa distância. Contem com a Flixbus, com o nosso trabalho e empenho. Estamos aqui para ser parte da solução para reduzir as emissões do transporte rodoviário”, afirmou o Country Team Lead para terminar a sua intervenção.

Os trabalhos de tarde inauguram-se neste primeiro dia com o tema Economia Azul. Numa mesa-redonda moderada por Irene Moreira, António Nabo Martins, presidente da APAT, e Pedro Guedes de Campos, Financial Engineering Officer, Clean Hydrogen JU, discutiram os “Transportes marítimos e o seu impacto ambiental”, versando sobre tópicos como  o contributo do setor marítimo para a economia circular e neutralidade climática ou a importância das parcerias estratégicas para alcançar um futuro de zero carbono.

Alexandra Monteiro, Investigadora do CESAM, abordou, após esta discussão, a “Resposta dos transportes marítimos aos desafios ambientais”, numa das apresentações mais saudadas do dia. Falando sobre” Como é que a indústria portuária pode ser alavanca de desenvolvimento da economia azul”, a investigadoras abordou ainda novas formas para “Promover a intermodalidade: Conexão com os meios rodoviários e ferroviários”.

De seguida, Pedro Guedes de Campos, Financial Engineering Officer, Clean Hydrogen JU, voltou a marcar presença na sessão, abordando, com um caso prático, a temática os “Portos como hubs de energia verde, veículos da transição energética e aposta na competitividade sustentável”.

No último slot programático do dia, onde se discutiu “Mobilidade no Transporte de Cargas de Mercadorias”, Mário Fernandes, Diretor Planeamento Estratégico das Infraestruturas de Portugal, falou à plateia sobre “Transferência do tráfego rodoviário para a ferrovia à escala europeia”, sendo que Vítor Figueiredo, CEO da Zolve, fechou o dia com uma intervenção prática sobre “Mobilidade sustentável em veículos pesados”.

No segundo dia de Congresso, o evento foi inaugurado com um novo slot temático, “Logística Urbana e Abastecimento Sustentável”. A primeira apresentação do dia esteve a cargo da Dingoo, representada pela Commercial Manager da marca, Elsa Nunes, seguindo-se uma apresentação de Nelson Caetano, que expôs o trabalho desenvolvido pela ID Logistics neste âmbito.

No seguimento destas apresentações, inaugurou-se a mesa-redonda “Modelos logísticos colaborativos: materializar o crowdsourcing”, contando este espaço de debate com Isabel Henriques, responsável de Gestão Contratual na Distribuição, da SONAE MC, Sophie Matias, Vereadora de Infraestruturas e Urbanismo, da Câmara Municipal de Faro, e João Neves, Global Supply & Logistic Manager na GranVision, dando-nos os oradores a sua visão profissional, em âmbitos diferentes, sobre este eixo estratégico da mobilidade moderna.

MobLab CongressA fechar o debate sobre este tema, Diogo Póvoas, E-Mobility Sales Manager, Helexia fez uma apresentação sobre “Infraestruturas de carregamento”, abordando alguns dos “constrangimentos que afastam as empresas” e as “respostas de quem decide”.

Mostrando um mapa de Portugal onde se podiam observar a distribuição de postos de carregamento e carregamento rápido, o gestor afirmou ser “difícil às empresas e pessoas que se deslocam para estas zonas [com poucos postos] de conseguirem optar pela mobilidade elétrica”. Neste sentido, Diogo Póvoas, lembrou existir uma escassez de oferta de carregadores, alegando que os carregadores rápidos são essenciais para quem se desloca em veículos elétricos.

“Para atingirmos as metas da descarbonização até 2035 vamos precisar de aumentar a dispersão de postos para carregamentos de veículos elétricos em cerca de nove vezes. Se a média semanal é de 20 postos por semana, vamos precisar de instalar, em Portugal, 200 por semana para estar a conseguir acompanhar o crescimento que aí vem. São números muito fortes”, afirmou o gestor, defendendo mais aposta e incentivos por parte das autoridades.

Intermodalidade e Cidades Inteligentes foi o tema seguinte a ser abordado, começando este espaço do programa com uma intervenção de Francisco Rosa, Sales Manager da Siemens Mobility Portugal, que nos deu a visão da empresa sobre o tema Mobility as a Service.

Após uma pausa, Teresa Stanislau, Gerente, STCP Serviços, apresentou o caso do novo Terminal Intermodal de Campanhã, lembrando a importância deste espaço enquanto plataforma multimodal na rede de transportes, como são experienciadas pelos utilizadores estes espaços públicos e como é possível monitorizar e medir a performance neste âmbito.

Bruno Eugénio, Chefe da Divisão da Gestão da Mobilidade, na Câmara Municipal do Porto, apresentou depois as “C-Streets – Projetos Piloto do Município do Porto”, com Ana Tomaz, vice-presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, a falar sobre “Segurança rodoviária e impacto económico da sinistralidade” e “Transportes não poluentes, seguros e acessíveis”.

Ainda no período da manhã deste segundo dia, Rui Saraiva, Membro Executivo Conselho de Administração, STCP, abordou o tema “Das Pessoas à Tecnologia – Uma Aliança em prol da Segurança”, sendo a manhã fechada com uma mesa-redonda, moderada por Miguel Mósca, Smart Cities Consultant na Bable, onde estiveram presentes duas realidades ibéricas distintas, com o debate a ocorrer entre Hernâni Dias, Presidente da Câmara Municipal de Bragança, e Noelia María González Guerrero, Concejala del Ayuntamiento de las Rozas y Consejera de Las Rozas Innova.

Para fechar o dia, o tema “Cibersegurança e Automação da Rede de Transportes” foi discutido, em formato de mesa-redonda, moderada por Miguel Romão, SOC Manager da S21sec, com a presença de Vítor Moreira, Diretor Municipal, Head of Smart City da Câmara Municipal Vila Nova de Famalicão, João Tremoceiro, Diretor do Centro de Gestão e Inteligência Urbana de Lisboa, e Afonso Pais de Sousa, Head of Engineering da Yunex Traffic Portugal, falando-se sobre a importância dos dados recolhidos nas cidades para a tomada de decisão e lembrando-se a necessidade de afetar recursos para esta área.

Catarina Selada, Head of City Lab, Ceiia, abordando as “ZLT – Zonas Livres Tecnológicas no sector dos transportes”, discutiu tópicos como Cooperação e articulação entre os vários intervenientes e mostrando como as ZLT estão a servir a inovação e a mobilidade, fechando o dia de debate, ficando o encerramento dos dois dias de trabalhos a cargo de Cristina Pimentel, Presidente da STCP.