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Opinião

Supply Chain – o desafio do capital humano

Supply Chain

O capital humano é, provavelmente, o melhor recurso da empresa. É nele que se sustenta todo o conhecimento adquirido e a base da experiência acumulada. A tecnologia é tremenda e ajuda sempre qualquer que seja a organização, mas sem capital humano, sem conhecimento e sem experiência, a tecnologia de pouco vale.
Como em qualquer sector, também nas empresas logísticas, mesmo as de operações sistemáticas, necessitam de reter o seu capital humano. Manter recursos, conhecimento e experiência acumulada é essencial para o contínuo e progressivo aumento de qualidade e produtividade. Estes processos de retenção de recursos são, como sabemos, bem mais económicos para uma empresa do que constantemente recuperar e adaptar esse conhecimento em novos recursos.
Existem diversos fatores que podem levar ao abandono das empresas por parte dos seus funcionários, mesmo daqueles com maior conhecimento acumulado. Podem ser de ordem pessoal, por alterações na sua dinâmica familiar ou alteração de local de residência, mas podem ser sobretudo de ordem profissional: de ordem financeira, para irem em procura de outra condições nesse aspeto (que, diga-se, nem sempre são depois assertivas na comparação directa com a situação anterior); de ordem motivacional, um novo desafio como agora se denomina, de modo a renovar o processo de auto-motivação e com isso intrinsecamente  sentirem-se mais satisfeitos ou úteis numa nova organização, ou de ordem inevitável, por exemplo, por incapacidade de desempenhar determinadas funções e por isso procurar outras totalmente diferentes.
Se nos focarmos apenas nos aspetos profissionais, é essencial apontar a importância de retenção de ativos nas empresas. Na área da supply chain ou logística em particular este processo torna-se ainda mais fundamental, fundamentalmente por questões relacionadas com a especificidade de algumas funções ou operações, mas ainda mais pela ausência de formação de base no factor humano existente ou antes, necessário, para este tipo de empresas.
Este ponto é absolutamente elementar no futuro próximo e do bom desempenho geral do sector. Atualmente a oferta formativa em Portugal é, felizmente, de elevada qualidade, mas peca por escassa. Há escassez de oferta formativa quer no que se refere a longa duração, licenciaturas e mestrados, quer no que ser refere a curta duração, pós-graduações ou formações muito direcionadas.
Efetivamente, existe uma oferta cada vez maior e generalizada nas instituições de ensino que já estão hoje mais centradas nesta ideia de que a logística é diferente em vários aspetos da área produtiva ou industrial e necessita, por isso, de formação específica. Operacionalmente, a logística como parte principal integrante das supply chain das empresas, traduz diferentes conceitos que são atualmente um pouco mais envolvidos nas ofertas formativas, mas como referi, pecam por escassez. Esta área que emprega em Portugal dezenas de milhares de pessoas tem necessidade de recursos humanos mais academicamente apetrechados.
Claro que os profissionais têm de estar dispostos a absorver também esse conhecimento, o que parece acontecer, mas existem 2 pontos fundamentais que por vezes limitam as opções: o primeiro, já mencionado, que têm a ver com alguma falta de oferta académica distribuída pelo país, estado concentrada em apenas algumas regiões – devo fazer o devido reconhecimento que o aumento de disponibilidade de cursos on-line nesta, com em praticamente todas as áreas, tem vindo a suprimir esta lacuna – o segundo, está ligado à disponibilidade financeira, por parte de quem pretende assumir este conhecimento. Muita da oferta existente, especificamente em cursos muito direcionados para a operação, tem custos elevados, que levam potenciais interessados a rever a ideia de avançar.
Assim, as soluções passam em parte pela continuidade de aumento de oferta formativa, presencial e on-line – o tempo que vivemos e a digitalização devem ser assumidos e aproveitados, porque existe procura em ambos os padrões – e passam também pela vertente financeira, em que as universidades deverão procurar apostar em preços competitivos que mobilizem interessados, mesmo os que não procurem lugares de topo. O capital humano é composto por todos. As empresas podem e devem apostar nos seus recursos sendo uma das formas o apoio a este tipo de ofertas formativas. As pós-graduações de cariz muito prático, são fundamentais para alavancar o conhecimento e são as que melhor traduzem o mercado de trabalho, apoiando a obtenção de mais e melhor formação aos interessados.
Hoje, o capital humano, ganha maior relevância. Nestes momentos de incerteza, onde a rotatividade está cada vez mais presente nas empresas, garantir os recursos mais adequados é fator decisivo no bom desempenho futuro e na manutenção dos melhores índices. O conhecimento teórico aliado ao conhecimento adquirido pela experiência são determinantes para que as empresas mantenham altos níveis de desempenho, graças ao seu capital humano que continuamente se torna mais preponderante na vida da empresa quanto maior for a sua contínua aprendizagem.
A aprendizagem, nomeadamente a externa, porque é nos contactos, na rede profissional que se vai gerando, que o conhecimento é melhor adquirido e compreendido, tem um papel fundamental na qualificação dos recursos humanos. Esta aprendizagem académica, mas sobretudo a experiencial, consegue agregar fatores humanos que por vezes são esquecidos, que todos nós temos, mas não os aplicamos na devida forma e tempo corretos.
O capital humano especificamente em empresas de logística e supply chain carece de muitos inputs externos. O desenvolvimento desta variável é fundamental para tornar o sector mais competitivo e mais dinâmico. Todos temos um papel importante neste sentido, devemos aprender, aplicar e ensinar. A academia deverá continuar a alterar o paradigma e impulsionar cada vez mais o ensino dinâmico, de curta duração, específico e direcionado, com preço justo, mas sempre com qualidade. As empresas devem cada vez mais, olhar para o papel de cada elemento e, proporcionar dentro do possível, a melhor experiência de trabalho. Garantir os recursos e baixar taxas de rotatividade é essencial para manter níveis de excelência. É no capital humano que está o segredo do sucesso. Depois, logo a seguir, vem a tecnologia!

“Nestes momentos de incerteza, onde a rotatividade está cada vez mais presente nas empresas, garantir os recursos mais adequados é fator decisivo no bom desempenho futuro e na manutenção dos melhores índices.”