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Infografia

Qualidade de vida das cidades em Portugal

Reunindo dados da Agência Europeia do Ambiente, Associação Portuguesa do Ambiente, ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, Censos, DECO a Mob Magazine tenta sistematizar alguns dados sobre a qualidade de vida nas cidades portuguesas. Com a poluição a ser diretamente causadora de desgaste na saúde dos seus habitantes, Portugal tem ainda um longo caminho para tornar as suas localidades mais amigas do cidadão, com Lisboa e Porto a serem duas das principais ‘artérias’ onde é preciso intervenção imediata. O mau isolamento térmico das habitações e também a poluição sonora são alguns dos outros dados que têm roubado qualidade de vida às populações, isto num momento em que, após o Censos (2021), se percebeu que Portugal tem cinco milhões de automóveis ligeiros de passageiros em circulação.

Qualidade de vida

Qualidade de vida

Qualidade de vida

Comentário

Lília Alexandre e Pedro Nunes — analistas na ZERO em Energia, Clima e Mobilidade

No mundo inteiro, as cidades enfrentam um conjunto de desafios urgentes devido ao aumento da população, ao tráfego rodoviário e às alterações climáticas. As projeções apontam para que, até 2030, 60% da população mundial viverá em cidades, acima dos 50% na atualidade, fatia que deverá aumentar para cerca de dois terços – mais de 6 mil milhões de pessoas – até 2050. Por outro lado, o parque automóvel mundial deverá subir dos atuais 1.400 milhões de carros para os 2.000 milhões em 2040.
Portugal não escapa a esta tendência. Os Censos de 2021 mostram que mais de metade dos portugueses vive nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, sendo que as cidades veem diariamente crescer e diminuir o número de pessoas no seu interior devido aos movimentos pendulares casa-trabalho e casa-escola. Nalgumas cidades, o turismo e visitantes representa ainda uma fatia importante da população presente.
Por outro lado, o parque automóvel em circulação tem vindo a aumentar, existindo atualmente no país mais de cinco milhões de automóveis ligeiros de passageiros, o que se traduz numa taxa de motorização (número de ligeiros de passageiros por cada 1.000 habitantes) de 530.
A nível nacional, o diagnóstico da mobilidade permite identificar um predomínio das deslocações em automóvel, com os condutores a viajarem sozinhos em 75% das deslocações e mais de metade deles fazendo uma distância inferior a cinco quilómetros, com impactes no consumo energético, no aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2) e de poluentes atmosféricos, no ruído, nos congestionamentos e, em virtude disso, impactos negativos na saúde pública e qualidade de vida.
Relativamente à qualidade do ar, nas cidades portuguesas persistem problemas de poluição atmosférica com efeitos na saúde humana e no ambiente, principalmente decorrentes de partículas em suspensão (PM10), ozono (O3) e dióxido de azoto (NO2), no seu conjunto responsáveis pela morte de cerca de 6.000 pessoas todos os anos. As medidas de redução da poluição nem sempre são suficientemente eficazes na melhoria da qualidade do ar nas cidades.
Em relação ao ruído, a maioria das cidades portuguesas regista valores acima do limite previsto na legislação nacional e europeia. Dados recentes da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) revelam que 20% da população residente em Portugal Continental está exposta a níveis sonoros que induzem perturbações no sono e 15% está exposta a níveis associados a incomodidade moderada, ou seja, no seu conjunto cerca de 3,5 milhões de portugueses. No caso de Lisboa, o ruído surge desde há vários anos como um incómodo em inquéritos públicos, e de resto são vários os estudos que demonstram o impacto positivo da redução de ruído na cidade, com melhorias no bem-estar físico e mental dos cidadãos.
As cidades beneficiam sempre de várias formas mais ou menos diretas de uma redução do tráfego automóvel e medidas neste campo devem ser complementadas com a promoção de outras formas de transporte, assumindo particular importância ao nível da qualidade do ar e do co-benefício na vertente do ruído, do consumo de combustíveis fósseis e das alterações climáticas. É necessário agir concertadamente nos domínios que influenciam a mobilidade e que vão desde o urbanismo e uso do solo até aos transportes.