Quantcast
Transporte de mercadorias

Lockdown em Xangai – Mais um desafio para a supply chain mundial

A cidade chinesa de Xangai está a ser afetada por um surto de covid-19, que levou ao confinamento dos seus mais de 25 milhões de habitantes, devido à política de covid-zero da China. Os efeitos já começaram a afetar o tráfego marítimo e poderá ser mais um desafio para a supply chain mundial.

A situação já se faz sentir desde o início do mês, informa a CNN. Na primeira semana de abril, segundo o provedor de dados de shipping global, VesselsValue, o número de navios à espera para carregamentos ou descargas tinha atingido mais de 300, um aumento de quase cinco vezes em duas semanas em meia.

 

O porto está atualmente a trabalhar num sistema “closed-loop”, no qual os funcionários precisam de se manter em áreas específicas e aderir a certos protocolos para prevenir o contágio do vírus e em que o porto está ‘fechado’ do resto da cidade.

Numa conferência de imprensa recente, em resposta à situação, o diretor do Highway Bureau (que está sob a alçada do Ministério dos Transportes chinês), Wu Chungeng, informou que o porto está a tentar fazer todos os esforços para garantir uma operação estável e tranquila.

 

De acordo com imagens do site MarineTraffic, que rastreia as posições em tempo real de várias embarcações em águas internacionais, obtidas pela Sky News é possível visualizar várias filas perto do porto de Xangai, com vários navios e embarcações a tentarem manobrar. A vermelho estão representados os navios-tanques e a verde os navios de carga.

 

“É um efeito knock-on em toda a cadeia de abastecimento”, considera o head of Asia Pacific na consultora FAO Global, Cameron Johnson, em declarações à Sky News. O responsável exemplifica que “se isto continuar, numa certa altura vai afetar os negócios no Reino Unido. As entregas poderão atrasar-se um mês ou dois, ou poderão ser os custos a aumentar”.

Por sua vez, o vice-presidente sénior do Supply Chain insight na project44 (que rastreia a supply chain mundial), Josh Brazil, nota que a situação já levou a atrasos de 10-12 dias nos maiores portos europeus.